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LAGOA DA MÚSICA

O município de Hulha Negra, situado na região sulina do Rio Grande do Sul, criado em 24 de março de 1992 e instalado em 01 de janeiro de 1993, tem uma população de 7.351 hulhanegrenses, segundo o último censo oficial. Inicialmente chamada de Rio Negro pelos colonos que se instalaram ao redor da estação ferroviária ali construída no ano de 1840, ele foi desmembrado do município de Bagé por força de um movimento popular que culminou, em 1965, com a sua primeira emancipação, aprovada em plebiscito, mas como o ato administrativo acabou sendo anulado judicialmente, nova consulta popular foi realizada em novembro de 1991, quando 1.817 votos favoráveis, 298 contrários, 33 nulos e 14 abstenções, determinaram o surgimento da nova unidade municipal em território rio-grandense. Seu nome é derivado do carvão (hulha), que ali existe em abundância, ao qual se juntou a expressão “negra”, em alusão à cor escura que tem esse carvão de pedra tão importante para a economia local. 

O episódio mais marcante acontecido em terras desse município gaúcho aconteceu em 1893, quando ele ainda não existia. Durante a revolução de cunho político que encharcou de sangue o solo do estado sulino, dez mil combatentes federalistas (ou maragatos) e republicanos (ou pica-paus), se enfrentaram ferozmente durante sete dias, às margens do rio Negro, e dos relatos sobre a carnificina que lá aconteceu no decorrer desse sangrento combate, consta que trezentos soldados republicanos foram aprisionados e em seguida degolados à beira de uma lagoa lá existente, embora os historiadores reduzam esse número a trinta. Deixando de lado o zero a mais ou a menos, porque isso já é motivo de comentários acalorados e desencontrados por parte dos que estudam com maior interesse o lutuoso, mas histórico acontecimento, o fato é que tantos ou tantos homens tiveram os pescoços cortados de um lado a outro, e em seguida seus corpos foram atirados na lagoa.

Comenta-se que a degola do rio Negro, nome pelo qual a execução em massa se tornou conhecida, foi muito mais uma desforra do fazendeiro Zeca Tavares, contra Maneco Pedroso, outro proprietário rural que antes havia invadido a propriedade do primeiro e lhe deixado um recado insultuoso, argumento fortalecido pelo fato de que muitos dos degolados mantinham relações mais estreitas com o invasor. Como não existem dados que assegurem a veracidade de tal hipótese, ela deve ser encarada como mais uma das muitas versões não comprovadas sobre os fatos de guerra registrados em 1893.

Diz a tradição que entre os degolados encontrava-se um rapaz que era o tocador de clarim da sua tropa. Mesmo ferido de morte ele ainda encontrou forças para correr até a lagoa levando seu instrumento musical, desaparecendo nas águas escuras que o engoliram como num passe de mágica. A lenda assevera que até hoje o soldado morto gosta de tocar o seu clarim nas noites de lua cheia, o que acabou dando à lagoa a fama de lugar mágico, de onde saem notas musicais que ninguém consegue explicar de onde vêm. O escritor Pedro Waine, falecido em 1951, que entre as suas qualificações incluía a de jornalista e animador cultural, publicou o livro “Lagoa da Música”, que em determinados trechos revela o seguinte:

“Relatam os sexagenários que no mais admirável recanto daquela zona, justamente no ponto onde a natureza melhor caprichou e embelezou, teve o Rio Grande do Sul, em 1893, seu acontecimento mais trágico....”

“Lagoa da Música, em que há um instante em que cessa a barulhada do mato e a própria correnteza das águas modera até silenciar por completo. Em que, repentinamente, um atento e religioso respeito se apossa de tudo o que estava em rebuliço, algazarra. É quando chegando às dezesseis horas, vai se realizando o encantamento daquelas águas”.

“Então, lá do fundo de certo trecho da lagoa vem um som harmonioso que pouco a pouco vai aumentando de intensidade, até que, aflorando à tona, estruge forte e enérgico, deixando atônitos os que não estão acostumados com ele. Mas os dali sabem que é o encantamento produzido pelo sangue de trezentos e muitos gaúchos degolados, com seus corpos atirados na lagoa, que está se realizando”.

“Os incrédulos dizem que os sons harmoniosos nada mais são do que fenômenos da acústica. Querem explicar que no leito da lagoa, por ser lugar de carvão, deram-se escavações formando galerias subterrâneas que vão se ligar com outras já meio soterradas, existentes em terra firme, e que o ar vindo destas, ao atravessar as águas, produz como uma música de flauta gigantesca”.

“Os incrédulos, homens que lêem livros complicados e enredados, ignoram, por certo, que a água das lagoas e dos rios, na campanha, guarda consigo o espírito dos gaúchos valentes que sinceros são pela liberdade de seu povo...”.

A Lenda da Lagoa da Música

Em Bagé, Na atual e desmembrada Hulha Negra, perto do Rio Negro, existe uma lagoa mal-assombrada. Altas horas da noite, muito campeiras, ouviram notas de música brotando de suas águas calmas. É que na sangrenta Revolução de 1893 uns trezentos republicanos pica-paus foram degolados em suas margens e os maragatos, vencedores, atiraram muitos mortos na lagoa. Diz a lenda que o último degolado era um rapaz muito novo, valente com armas e clarim da força derrotada. Ao ser degolado, ainda correu para a lagoa, levando o seu clarim - clarim que ele gosta de tocar até hoje, nas noites de lua clara.

 

 

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